| Chacina na sede da torcida organizada Pavilhão Nove, onde 8 corintianos morreram (Foto: Fernando Neves/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo) |
O caso está sendo conduzido pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que determinou sigilo policial nas investigações. A principal hipótese para explicar a execução das vítimas é que ela esteja relacionada ao tráfico de drogas: disputa por pontos de venda ou dívidas de drogas. Foi descartada a possibilidade de o crime ter sido motivado por rixas entre torcidas rivais.
A Promotoria poderá ter acesso ao inquérito do DHPP. Mas somente após sua conclusão do crime por parte da polícia é que um dos promotores será designado para apurar o caso na esfera judicial.
Criminosos
Até esta quinta-feira (23) os assassinos não haviam sido presos. A polícia teria identificado dois dos três criminosos armados, que entraram com capuz e o rosto descoberto na sede da Pavilhão Nove, na Zona Oeste da capital paulista, na noite do último sábado. Apesar disso, os retratos falados dos suspeitos ainda não foram divulgados.
De acordo com o relato de dois dos cinco sobreviventes da chacina, o grupo teria se identificado como ‘polícia’ no momento que chegou à quadra, por volta das 23h. O fato de se apresentarem como policiais não significa que os executores eram mesmo agentes, segundo investigadores do DHPP. Os criminosos estavam com o rosto descoberto. Em seguida, mandaram oito torcedores se ajoelhar e atiraram nas cabeças deles.
Mortos
Foram assassinados:
| Acima estão as oito pessoas mortas na sede da torcida Pavilhão Nove (Foto: Reprodução/TV Globo) |
Os corintianos mortos preparavam bandeiras que seriam levadas para o jogo contra o Palmeiras, no domingo (19), na Arena Corinthians, em Itaquera, Zona Leste. Câmeras de segurança de um posto de combustível, que fica ao lado da quadra da torcida, gravaram outras pessoas fugindo, escapando dos assassinos. Para a polícia, o alvo dos bandidos era um só: Fabio Domingos, ex-presidente da torcida. Ele foi o único dos mortos a receber dois tiros. Os demais foram atingidos por um disparo.
Fábio era um dos 12 corintianos presos em Oruro, na Bolívia, em 2013. Estava entre os suspeitos de disparar um sinalizador que atingiu e matou o adolescente boliviano Kevin Espada, torcedor do San José, num jogo contra o Corinthians pela Libertadores.
Ainda de acordo com a investigação, depois de ser solto, Fábio se envolveu numa briga entre corintianos e vascaínos em Brasília.
Segundo os policiais, Fábio e mais três outras vítimas também já haviam sido condenados por tráfico de drogas, o que reforça a tese de que a chacina tenha relação com disputa ou dívidas de entorpecentes.
nvestigação
| Presidente da Pavilhão Nove deixa DHPP sem falar com a imprensa (Foto: Kleber Tomaz / G1) Investigação Investigações feitas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) apontam que alguns dos mortos comandavam pontos de tráfico de drogas na região da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Zona Oeste. Eles teriam se desentendido com grupos rivais. Segundo investigadores do DHPP a ordem para executar os oito torcedores pode ter partido de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas. O presidente da torcida Pavilhão Nove, do Corinthians, Phillip Gomes Lima, e mais três pessoas prestaram depoimentos na quarta-feira no DHPP. Eles foram ouvidos sobre |
Investigações feitas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) apontam que alguns dos mortos comandavam pontos de tráfico de drogas na região da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Zona Oeste. Eles teriam se desentendido com grupos rivais.
Segundo investigadores do DHPP a ordem para executar os oito torcedores pode ter partido de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas.
O presidente da torcida Pavilhão Nove, do Corinthians, Phillip Gomes Lima, e mais três pessoas prestaram depoimentos na quarta-feira no DHPP. Eles foram ouvidos sobre a chacina que matou oito corintianos na sede da torcida.
Phillip e mais três rapazes entraram e deixaram o DHPP sem falar com a imprensa. Como o departamento determinou o sigilo nas investigações, o delegado Luis Fernando Lopes Teixeira, que apura o caso, não deu declarações sobre os depoimentos aos jornalistas.
O G1 apurou que as quatro pessoas foram ouvidas por mais de uma hora na sede do DHPP. Lá, foram questionadas se as vítimas haviam recebido ameaças, de quem e por quais motivos. Não há confirmação se elas responderam às perguntas. Policiais ainda querem ouvir parentes e amigos para traçar o perfil das vítimas do crime
| Oito pessoas foram mortas na sede da Pavilhão 9 (Edison Temoteo/Futura Press/Estadão Conteúdo) |
Sobrevivente
A mãe de um dos oito mortos contou no domingo (190 ao G1 que um dos sobreviventes da chacina disse a ela ter se enrolado em uma bandeira do time e deixado vivo pelos criminosos. "Disseram para ele que ele tinha sorte que as balas tinham acabado e que ele ficou vivo para contar tudo", disse a mulher, que pediu para não ser identificada por medo de represálias.
Segundo ela, outros quatro rapazes que estavam no local conseguiram arrombar uma porta e fugir. A mulher esteve no Instituto Médico-Legal (IML) para fazer o reconhecimento do corpo do filho, e disse que as vítimas foram espancadas antes de morrer. "Deixaram o rosto e o braço dele todo machucado", afirmou.
A torcida organizada Pavilhão Nove foi criada em homenagem aos presos mortos em um dos pavilhões da penitenciária do Carandiru, em São Paulo, em outubro de 1992. Ela foi criada por um grupo de amigos que fazia trabalho social no presídio e promovia jogos de futebol contra o time "Corinthians do Pavilhão 9".
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